Na curva da tarde Clara ouve
o trem partir sem bilhete de volta
ela sente no corpo a promessa de um novo rumo
e no silêncio da estação descobre
um atalho secreto para o inconsciente
cada passo solta ecos de antiga dor
mas também revela forças adormecidas
um mapa de desejos traçado em pulsações
onde o autoconhecimento floresce
como flor resistente ao vento
no abraço do vento ela entende
que liberdade nasce do encontro consigo mesmo
que na psicanálise do caminhar
cada lembrança se faz luz
e cada saudade se torna ponte
o coração solto no mundo soprou
suas velas interiores
e aprendeu que acolher a própria sombra
é permitir que o desejo de existir se liberte